Universidade Católica de Pernambuco

Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações

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    Saul e Davi, os reis carnavalizados na bíblia hebraica: uma leitura de 1 e 2 Samuel e 1 Reis a partir do conceito de carnavalização e da sátira menipéia.
    (UNICAP, 2025-04-28) Gonçalves, Luciene Lima
    Nesta pesquisa buscou-se compreender a jornada dos personagens bíblicos Saul e Davi como personagens carnavalizados. Para tanto foi necessário seguir os meandros da literatura em geral para fixar o olhar em uma literatura específica: a literatura bíblica. Para alcançar a trajetória desses dois personagens traçar um itinerário mostrou-se uma exigência. Buscou-se entender como o humor foi galgando seu espaço no mundo literário, sua importância, seus destaques, seus representantes, sua consolidação. Foi possível falar de humor na Bíblia pela constatação da presença dele na literatura bíblica e judaica. Após esse trabalho, a aproximação aos personagens de Saul e Davi deu-se pela análise narrativa. Depois da apresentação da narratividade, parecia o momento de discutir o conceito de carnavalização de Mikhail Bakhtin, mas antes foi necessário mergulhar na compreensão de carnaval desse autor chegando a uma cosmovisão carnavalesca. A compreensão do carnaval como festa popular, tendo a praça como espaço público onde a liberdade é alcançada, onde as regras são quebradas, tornou possível transpor esse ambiente físico, cultural, social para a dimensão literária. A literatura clássica em geral, tem como personagens deuses, heróis, pessoas pertencentes aos estratos sociais mais elevados. Na carnavalização da literatura, as camadas mais baixas da escala social ocupam o centro das narrativas, são protagonistas. O conceito de carnavalização de Bakhtin possibilita a aproximação do universo dos dois primeiros monarcas da história do povo da Bíblia, Saul e Davi. Nos livros de 1 e 2 Samuel suas trajetórias se entrelaçam através de elementos próprios da carnavalização, tais como, o tema da coroação-destronação, dos duplos, e das situações representativas do alto e do baixo, situações-limites, além do elemento escatológico presente nas relações envolvendo os dois personagens. Há humor na Bíblia, ele pode ser reconhecido através da carnavalização da literatura constatada nos livros 1e2 Samuel e 1Rs.
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    A educação para a emancipação na docência do ensino religioso: debates à luz da Pedagogia Histórico-Crítica.
    (UNICAP, 2025-11-21) Miranda, Antonio Michel de Jesus de Oliveira
    A gênese da Educação brasileira, de relutante alicerce ideológico, de matriz político-religiosa, expõe um Ensino Religioso servil a preceitos educativos travestidos de confessionalidade e catequese. Confrontando esta premissa com o agora Ensino Religioso “sobrevivente” no Currículo educacional de uma nação constitucionalizada laica e culturalmente plural, regido pelo artigo 33, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, 1996), que deveria assegurar o respeito à diversidade cultural religiosa brasileira sem proselitismos, cabendo agora, um modelo de ensino que o “quebrasse” como ponte, dentro das escolas, servil ao acesso da propagação das ideologias de uma sociedade marcadamente religiosa-educacional, burocrático-normativa, homogênea-discriminatória. Sendo estas conjecturas ratificadas, a partir das teorias de Currículo, quando percebidas as relações de poder por sobre o conhecimento, à serviço de classes hegemônicas. Assim, discutiu-se qual pedagogia agora caberia a este componente, para uma docência capaz de favorecer a compreensão crítica da sociedade, não mais lhe conferindo um ensino de reafirmação do Status quo. Esta docência se baseia na Pedagogia Histórico-crítica, criada por Dermeval Saviani, a partir do materialismo histórico-dialético de Marx, visando ao aluno uma compreensão da sociedade de forma crítica, democrática, equânime e seu papel de cidadão consciente, que ao valorizar saberes historicamente construídos, uma didática emancipatória na sua docência, poderá eclodir. Diante dessas premissas, esta tese emergiu da seguinte problemática: quais as contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica para a docência do ER, tendo em vista a promoção de um ensino emancipatório? Tendo como objetivo geral: analisar as contribuições da pedagogia histórico-crítica para a docência do ER, tendo em vista a promoção de um ensino emancipatório. E específicos: Reconhecer os aportes teóricos, históricos e legais das Ciências da Religião e do Ensino Religioso, focando concepções de Currículo e formação docente; aprofundar os pressupostos teóricos da Pedagogia Histórico-Crítica e suas metodologias que buscam a emancipação por meio da relação entre teoria e prática social; discutir e refletir, à luz da concepção histórico-crítica, as DCNCRE e a BNCC para o Ensino Religioso, visando uma docência emancipatória e a superação do caráter doutrinário que antes era conferido à área. Diante dos objetivos traçados, optou-se pela pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, como a metodologia que melhor nos ajudaria na obtenção da resposta à nossa problemática. E para fundamentarmos nossas discussões, contamos com teóricos como: Dermeval Saviani (2013; 2018); Freire (1982), Giroux (1986); Candau (2008); Bourdieu (1984); Stuart Hall (1997); Boaventura de Sousa Santos (2006): bell hooks (1994); Engels e Marx (2007); Da Costa e Ibiapino (2024); Junior(2006); Nóvoa (1992); Marinho e Peternella (2018); Veiga (2004); Apple (2008); Silva (1999); Junqueira (2015); (Lorenz (2018); Tomaz Tadeu da Silva (1999); Arroyo (2011); Miranda (2019; 2020); Libâneo (2013) e outros. Diante das discussões pudemos perceber que a Pedagogia histórico-crítica, é uma via que potencializa a promoção de um ensino emancipatório e assim, o rompimento doutrinário de alicerce colonial que ainda pode ser pungente no trato pedagógico do Ensino Religioso.
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    Espiritismo, de doutrina filosófica à religião do livro: entre controvérsias, livros e cânone.
    (UNICAP, 2025-09-19) Lira Neto, Luís Jorge
    Esta pesquisa verificou a trajetória do Espiritismo, um caso particular do Espiritualismo Moderno, movimento espiritualista iniciado nos Estados Unidos da América em 1848. Aqui analisado como um fato sociocultural e transnacional. Em trânsito pelo Ocidente chega à França e é recepcionado por uma cultura imersa no ideal iluminista tardio. Ressignifica como Doutrina Filosófica em 1857, a proposta conciliatória de Allan Kardec para o dilema da modernidade entre fé e razão. De retorno ao continente americano, aporta no Brasil e se defronta com uma sociedade de religiosidade singular, sincrética, mística e receptiva ao espiritual. Toma, então, características de uma Religião Cristã, processo imerso em controvérsias e discussões se o Espiritismo é religião ou não e, ademais, sob pressões externas, do Estado, da Igreja e da classe médica. Com o intuito de analisar as transmudações socioculturais do Espiritismo, esta tese objetiva demonstrar o processo de transformação do Espiritismo em Religião do Livro, na linha judaico-cristã, frente às narrativas dos grupos espíritas em controvérsias doutrinárias e a transformação das obras fundamentais espíritas em Cânone sacralizado. E em específico, mostrar a evolução histórico-cultural do Movimento Espírita Francês, contextualizado como um fato social; identificar as causas que levaram o Espiritismo no Brasil a ter características de Religião Cristã e suas singularidades frente à matriz francesa; apresentar os principais grupos espíritas em controvérsias no Brasil, identificando os argumentos que embasam suas disputas, sob a perspectiva da Teoria de Campo Religioso de Pierre F. Bourdieu, além de identificar o contexto e; verificar os fatores que caracterizam o Espiritismo como uma Religião do Livro, entendido como um sistema articulado com base em um livro profético, sacralizado num Cânone, uma religião de referência e uma comunidade de seguidores. O aporte metodológico está ancorado em pesquisa bibliográfica e documental, em fontes primárias e secundárias das obras espíritas e no acervo do Projeto Allan Kardec da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que deram condições de mapear as configurações do Espiritismo em culturas e sociedades diferenciadas. Identificada a centralidade no Livro e nos Evangelhos intrínsecos ao Espiritismo, foi aplicado modelo de análise de formação de Cânone de religião letrada, adaptado de José S. Croatto e Aldo N. Terrin para verificar o sistema de crenças e de práticas espíritas, resultando na constatação da configuração do Espiritismo na França como Religião Filosófica e Letrada, identificada com a secularidade, enquanto no Brasil apresentou configuração de Religião Cristã do Livro, de identidade de mística letrada, porém, ambas situadas na modernidade.
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    Textos narrativos escritos por estudantes autistas do ensino fundamental II: um olhar enunciativo.
    (UNICAP, 2025-02-26) Moraes, Carlos Eduardo Alves
    A presente pesquisa se insere nas discussões sobre a produção de textos de alunos com autismo, a partir da sua p roximidade com a escrita na sala de aula. A princípio, o interesse de investigar sobre textos escritos de sujeitos autistas no contexto escolar, parte da história pessoal do autor deste trabalho, vivenciada em sua prática como docente de língua portuguesa no ensino básico. Sabe se que, em relação à escrita, os alunos autistas apresentam déficits na combinação de aspectos da sintaxe, morfologia e semântica (Walenski; Tager Flusberg, Ullman, 2006), e esse fato é reflexo dos desvios que esses indivíduos com au tismo possuem no comprometimento nos níveis de linguagem, uma vez que há um déficit na compreensão e na produção das palavras com sentidos semelhantes aos utilizadas convencionalmente. Este trabalho tem como objetivo geral investigar a enunciação em textos narrativos escritos produzidos por estudantes autistas do Ensino Fundamental II e como objetivos específicos identificar as estratégias construídas pelos estudantes autistas através da Categoria de Tempo deixados nos textos, que apontem para processos enu nciativos, além de analisar os movimentos de linguagem presentes nas narrativas escritas e verificar como uma aparente desordem no texto escrito do autista reflete as manifestações enunciativas do sujeito. Para embasar sobre a relação do autista com a escr ita, utilizamos como referencial teórico os conceitos da linguística enunciativa do pesquisador Émile Benveniste (1902 1976), o qual define enunciação como o ato individual de colocar a língua em funcionamento de marcas específicas do sujeito na linguagem. Esta pesquisa se caracteriza como qualitativa do tipo estudo de caso no qual foram coletados seis textos narrativos produzidos em sala de aula por três estudantes autistas, matriculados na turma do oitavo e nono ano d o Ensino Fundamental II, de uma escol a da rede municipal de ensino da cidade do Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife. Após uma sequência didática sobre a produção de texto narrativo, foi solicitado que os alunos produzissem dois textos no início do período letivo e dois tex tos em meados do semestre, escolhido entre dois temas propostos pelo professor a cada atividade de produção textual. Vale ressaltar que a construção dessas narrativas não teve qualquer intervenção do professor da sala de aula regular ou do professor de apo io, eles só acompanharam o processo da escrita dos estudantes, constituindo se como único alocutário durante a construção dos textos. No percurso das análises buscamos mostrar o funcionamento do processo enunciativo a partir da consideração de três momento s: 1) A proposta do professor com a produção de narrativas para os estudantes com TEA; 2) A escrita dos alunos autistas, 3) As particularidades encontradas nas narrativas. Acreditamos que a análise dos textos nos mostrou, que, mesmo todos apresentando o ig ual transtorno, esses estudantes manuseiam a linguagem escrita de modo diferente um do outro, marcando os movimentos subjetivos na linguagem.
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    Uma irrupção na moralidade : a trajetória de Immanuel Kant para a fundamentação da metafísica dos costumes.
    (UNICAP, 2025-03-28) Pereira, Rodrigo Victor de Souza
    A presente pesquisa tem como objetivo fundamental investigar a trajetória realizada por Immanuel Kant para chegar à sua primeira obra dedicada à moral, a Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785). A irrupção ocasionada pelo filósofo no âmbito da moralidade, estabeleceu uma nova compreensão da ação moral rompendo com os paradigmas anteriores ao proceder com a busca e fixação do imperativo categórico, estabelecendo, por sua vez, uma ética do dever. Para o desenvolvimento da argumentação, analisaremos o projeto moral kantiano, da caracterização e fundamentação perpassando por aspectos essenciais da sua filosofia moral como a virtude desinteressada, a preocupação com o universal e o seu compromisso com a verdade. Na sequência, propomo-nos explorar de modo aprofundado os “pressupostos dos pressupostos” que fundamentam o seu pensamento moral, esclarecendo sobre o contexto histórico em que ele estava envolvido e como a teodiceia e Rousseau o influenciaram. Por fim, demonstraremos algumas noções preliminares acerca da redação da Fundamentação e qual o seu lugar no contexto da moral de Kant. Deste modo, ao esclarecermos qual o seu objetivo e o seu método, falaremos dos conceitos fundamentais que estruturam essa obra, como o papel da boa vontade, o dever e a questão central de sua filosofia prática que é a derivação do imperativo categórico.