Universidade Católica de Pernambuco

Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações

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  • Sistema de publicação eletrônica de teses e dissertações

Submissões Recentes

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    Convivência entre gerações na dinâmica conjugal e parental: desafios e potencialidades em um estudo biopsicossocial.
    (UNICAP, 2026-02-24) Aureliano, Rodrigo de Oliveira
    A longevidade delineia uma tendência global que transforma a demografia, molda a qualidade de vida e a dinâmica familiar, promovendo processos de qualidade positiva e negativa entre os membros da família. Esta tese teve como objetivo compreender como o microssistema avós-netos repercute no relacionamento conjugal dos pais, na perspectiva destes. Especificamente, buscou-se identificar como se dá a relação avós, pais e netos na família; bem como analisar os aspectos positivos e negativos do microssistema avós e netos na vida do casal; além de captar se há conflitos nos mesossistemas e havendo como são resolvidos. Para tanto, a pesquisa utilizou o método qualitativo, transversal, com uma amostra por conveniência. Os participantes desta amostra foram oito (08) pais, sendo seis (06) do sexo feminino e dois (02) do sexo masculino, casados ou em união estável, heterossexuais, com idades entre 33 e 68 anos, convidados a responder aos instrumentos de coleta de dados. Como instrumentos de coleta, aplicaram-se uma entrevista, com questões alinhadas aos objetivos da pesquisa e conduzida de forma semidirigida, e um questionário biossociodemográfico. Fundamentou-se teoricamente na perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano, considerando a família como um sistema sociocultural aberto e dinâmico, cujas inter-relações se constituem especialmente entre microssistema e mesossistemas e se modificam ao longo do cronossistema. De forma geral, os resultados indicam que o microssistema avós-netos exerce influência ambivalente sobre a conjugalidade dos pais. Destacam-se o apoio instrumental e emocional dos avós, a centralidade dos processos proximais intergeracionais, a redefinição do papel dos avós na contemporaneidade e a dimensão temporal das relações familiares, elementos que favorecem a relação conjugal e a redução da sobrecarga parental, sobretudo quando há fronteiras intergeracionais bem estabelecidas. Também emergem aspectos tensionadores, como a interferência direta do microssistema avós-netos no subsistema conjugal, a fragilidade das fronteiras familiares quando as inter-relações são de qualidade negativa, a ativação de conteúdos transgeracionais e o deslocamento de conflitos intergeracionais para o relacionamento conjugal, especialmente em contextos de disputas de autoridade ou deslegitimação do casal parental. A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano possibilitou integrar essas dimensões, evidenciando a conjugalidade como um processo relacional, contextual e historicamente situado, atravessado por múltiplos sistemas em interação. Dentre os achados, conclui-se que a intergeracionalidade se configura como um elemento central na constituição e na dinâmica das relações conjugais, atravessando-as de maneira bioecológica ao longo do ciclo vital. Tal processo evidencia-se nas interações recíprocas e contínuas entre os diferentes microssistemas familiares, revelando-se fundamental para a compreensão do desenvolvimento humano, das transformações familiares e das repercussões que emergem nas relações conjugais e parentais ao longo do tempo.
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    A compreensão sobre a “síndrome da insuficiência familiar” por profissionais da saúde: uma análise à luz da gerontologia social crítica.
    (UNICAP, 2025-09-19) Morethe, Anita Rheno
    Esta pesquisa de Mestrado do Programa de Psicologia Clínica da Universidade Católica de Pernambuco é um recorte de um projeto guarda-chuva intitulado “Vulnerabilidade e condições sociais e de saúde da pessoa idosa na Atenção Primária e Instituições de Longa Permanência: Estudo comparativo no Brasil, Portugal e Espanha”, CAAE: 36278120.0.1001.529, número do parecer 4.267.762, coordenada pelo Prof. Dr. Gilson de Vasconcelos Torres (UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte), representada pela UNICAP em Pernambuco. No Brasil, cerca de 32 milhões de brasileiros/as em 2022, de acordo com os dados publicados em 2023 pelo IBGE, tinham 60 anos de idade ou mais. Vale destacar que o envelhecimento humano é heterogêneo, trata-se de velhices. Nos estudos da gerontologia e geriatria tradicionais, são elencados alguns processos adoecedores da pessoa idosa e, entre eles, gostaríamos de destacar a Síndrome da Insuficiência Familiar. A referida síndrome, no Brasil, é caracterizada pela redução drástica da capacidade da família de prestar apoio a seus membros idosos, seja pela falta de condições socioeconômicas, seja pela redução do quantitativo de componentes. Consideramos que a nomenclatura carrega significados/sentidos sobre responsabilização familiar. Observamos, contudo, que da família se requer mais ou total responsabilidade mas, do Estado, por meio da Proteção Social Formal, há uma progressiva escusa de deveres, com redução de investimentos nas Políticas Sociais. Tal realidade pede o exercício de ultrapassagem da aparência em busca do entendimento da essência desse fenômeno (transferência de responsabilidades em relação ao cuidado com a pessoa idosa). Essa tarefa se alinha com a Gerontologia Social Crítica em conformidade com a teoria social de Karl Marx. Dito isto, o objetivo geral desta pesquisa é analisar a compreensão dos profissionais da saúde, que atuam no cuidado às pessoas idosas em instituições diversas de saúde, acerca da Síndrome da Insuficiência Familiar. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, com amostragem por conveniência, transversal, analítica e descritiva. Participaram da pesquisa 10 profissionais de nível superior que atuavam no cuidado às pessoas idosas, independentemente da idade, gênero, etnia, grau de escolaridade, classe social, estado civil e religião. Para coleta de dados, utilizou-se um questionário sociodemográfico e um roteiro de entrevista semiestruturada para atender aos objetivos da pesquisa. A análise dos dados ocorreu por meio da análise de conteúdo temática, proposta por Bardin. Resultados: Os resultados apontaram o desconhecimento do conceito da Síndrome da Insuficiência Familiar e a estranheza ante a nomenclatura/terminologia que sincretiza termos biomédicos com uma instituição social, patologizando-a. Apenas duas profissionais conheciam o conceito da Síndrome da Insuficiência Familiar, e estas haviam se especializado na área da gerontologia. Apesar de compreender o conceito, uma delas não concordou nem com a terminologia e nem com os aspectos que a caracterizam, fazendo uma crítica à culpabilização da família e ampliando o olhar para a responsabilização do Estado. Considerações finais: A Síndrome da Insuficiência Familiar não é amplamente conhecida pelos profissionais de saúde e o seu conceito não reflete a essência da realidade. As famílias estão mudando quanto ao número de membros e as mulheres adentraram no mercado de trabalho sim, no entanto, esses não são os motivos que podem causar piora na condição de saúde das pessoas idosas. A ausência de políticas sociais públicas para compor uma proteção social e compartilhar com as famílias a responsabilidade pelo cuidado com seus membros pode condicionar a piora da saúde das pessoas idosas.
  • Item type: Item ,
    Entre a vara de violência doméstica e a vara única : a aplicação da Lei Maria da Penha no interior de Pernambuco.
    (UNICAP, 2025-03-26) Passos, Brizza Érica Pereira
    A promulgação da Lei Maria da Penha representou um marco na luta contra a violência doméstica e familiar no Brasil. Fruto de pressões de movimentos feministas e de organismos internacionais, a Lei surgiu como resposta à omissão estatal diante de uma grave violação de direitos humanos. Embora represente um importante instrumento de proteção, ao articular mecanismos legais, serviços assistenciais, diretrizes de políticas públicas e formas de atendimento especializado, sua aplicação permanece fortemente concentrada na esfera penal. Essa lógica punitiva evidencia a permanência de um modelo de justiça seletivo, que opera dentro de estruturas sociais excludentes e desiguais. Partindo dessa problemática, a presente dissertação tem como objetivo investigar quais as dificuldades para a implementação da Lei Maria da Penha em uma comarca de Vara Penal Única, tendo como campo empírico o município de Tabira, no sertão de Pernambuco. Para tanto, adota-se uma metodologia de métodos mistos, articulando uma abordagem quantitativa, voltada ao exame de processos de violência contra mulheres ajuizados na unidade judicial no ano de 2022, com uma perspectiva qualitativa, construída a partir de entrevistas com operadores do sistema de justiça local. O estudo dos processos permitiu traçar o perfil socioeconômico das partes envolvidas, revelando que tanto autores quanto vítimas são, em sua maioria, pessoas com baixa escolaridade e inseridas em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. A dimensão qualitativa, discutida no segundo capítulo, buscou compreender as percepções dos profissionais do direito em relação à aplicação da Lei Maria da Penha. Os dados coletados foram relacionados aos achados do relatório “Entre práticas retributivas e restaurativas: a Lei Maria da Penha e os avanços e desafios do Poder Judiciário”, que analisou o funcionamento de varas especializadas. Essa articulação mostrou que, apesar das diferenças nas estruturas institucionais entre vara única e especializada, os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso à justiça persistem, indicando que a especialização, por si só, não tem sido suficiente para modificar a forma como o sistema de justiça opera. Mantêm-se práticas de revitimização, ausência de formação adequada dos profissionais e uma resposta majoritariamente punitiva, que, além de não atender às expectativas das vítimas, reproduz desigualdades de gênero, classe e raça. Trata-se de um modelo que não apenas falha em assegurar proteção efetiva, mas também não oferece uma experiência de justiça digna, adequada às especificidades da violência de gênero e capaz de enfrentar suas raízes estruturais.
  • Item type: Item ,
    A extensão universitária como possibilidade de novo horizonte de sentidos na contemporaneidade.
    (UNICAP, 2025-12-19) Jesus, João Elton de
    No contexto contemporâneo, observa-se que a Educação Superior, muitas vezes, tem se tornado um instrumento que se limita a formar técnicos capazes de acessar os bens e serviços disponíveis e assim alcançar um lugar de prestígio na sociedade pautada pela lógica tecnocientífica e neoliberal. Contudo, além de formar profissionais competentes, cabe, também, às universidades formarem pessoas comprometidas com o bem comum e que possam utilizar o seu conhecimento para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Dentre os pilares da Educação Superior, composto, também pelo Ensino e a Pesquisa, a Extensão Universitária aparece como um meio para a formação de estudantes compassivos e comprometidos consigo mesmos e com os outros. Nesse sentido, esse trabalho teve como objetivo compreender se a participação em atividades extensionistas pode ser uma possibilidade para que os estudantes tenham um outro horizonte de sentido para além da determinação técnica que se mostram em meio às sociedades líquida, do desempenho e do consumo. Nesse escopo, a metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa sob a perspectiva fenomenológica hermenêutica, utilizando-se de grupos reflexivos junto a participantes do projeto de Extensão ReconstRua, vinculado ao curso de Medicina da Universidade Católica de Pernambuco. O caminho de análise das experiências colhidas foi a situação hermenêutica, ao modo de Heidegger. A partir da escuta dos participantes desse projeto, os resultados mostraram que a Extensão Universitária pode ser uma possibilidade de abertura de novo horizonte de sentidos por parte dos estudantes universitários, principalmente se as iniciativas extensionistas pautarem-se pela troca de saberes com a comunidade, pela reflexão afetiva e hermenêutica das experiências e pela mediação sensível dos professores extensionistas.
  • Item type: Item ,
    Empreendedorismo nas mídias sociais e saúde mental.
    (UNICAP, 2025-10-30) Pessoa, Lucas Glasner
    As mídias sociais como o Instagram, TikTok e YouTube são plataformas que conectam pessoas a pessoas e estas a diversos conteúdos. Com o passar do tempo, elas deixaram de ser apenas redes de relacionamento para se tornarem plataformas de mediação de trabalho, onde a plataformização dita as regras de visibilidade e consumo. O problema central reside na pressão algorítmica que exige engajamento e presença constante dos usuários, impactando a saúde mental dos trabalhadores que empreendem utilizando plataformas desta categoria. É importante entender que empreendedorismo, nesse sentido, é qualquer tentativa de abrir ou expandir os negócios e, no Brasil, é uma tarefa permeada por vínculos de trabalhos frágeis, bicos e a implementação de termos como uberização, que aglomera em seu conceito a precarização do trabalho daqueles que se dizem empreendedores nas plataformas digitais. Portanto, esta pesquisa investigou as repercussões biopsicossociais de empreender utilizando as mídias sociais no contexto de precarização do trabalho. O estudo, de natureza qualitativa e transversal, foi realizado com cinco empreendedores da Região Metropolitana do Recife por meio de questionários e entrevistas semiestruturadas, com dados analisados pela análise de conteúdo de Bardin. Os resultados indicam que o empreendedorismo é motivado principalmente pela necessidade, como desemprego e busca por renda, refletindo o cenário socioeconômico adverso. As mídias sociais são vistas como ferramentas essenciais para a divulgação e venda, mas impõem uma lógica de visibilidade constante e engajamento que gera sobrecarga de papéis, autocobrança e comparação. A instabilidade do negócio e a pressão algorítmica se revelaram fontes expressivas de estresse e ansiedade, influenciando na saúde mental dos participantes. Conclui-se que, embora o empreendedorismo digital seja uma alternativa de subsistência, a dinâmica de trabalho plataformizado, regida por uma lógica neoliberal de desempenho individual, fragiliza o bem-estar dos empreendedores que, por sua vez, desenvolvem estratégias de enfrentamento para mitigar os efeitos negativos em sua saúde mental.