Eu, tu, elas: os atravessamentos dos discursos de gênero na medicalização do sofrimento psíquico de mulheres.
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Universidade Católica de Pernambuco
Studies about the medicalization of psychological distress under the gender
perspective become urgent when we have some dominant discourses on gender that often
place women in a position of greater subordination. Moreover, such discourses crystallize
women's modes of subjectivation, causing part of their stories to be permeated by a kind of
violence subtly disseminated through various social devices and technologies, sometimes
legitimized by medical discourse. We propose in this work to problematize the intersections of gender discourses in the medicalization of the psychological distress of women who use
benzodiazepines (BZD). The research had a qualitative design, and narrative interviews were conducted with nine women between September and October 2018. The triggering question of the interview was: "What led you to use BZD?". The reading of the narratives was based on the analysis of foucaultian-inspired statements. It was perceived in the narratives produced by the participants that the practice of some health professionals is still very permeated by a biologizing, individualistic and universalizing look. Historical complexity is often overlooked in favor of objective and supposedly neutral diagnoses and drug prescriptions; The professionals end up assuming a disciplining and docilizing discourse on the modes of subjectivation of women. It was also possible to perceive the tensions present in women, between movements of resistance and subjection to medicalization, as well as forces of reiteration and rupture by some health professionals; a power play that has revealed to us how much we are all constrained by a range of regulatory but also potentially subversive rules. It is in this position of subversion that we find room to propose a broader and more complex way of understanding the psychological distress that encompasses the knowledge / power network that shapes the subjects and, thus, weaving a clinic that welcomes such women and their psychological distresses with ethical, aesthetic and political commitment.
Os estudos sobre a medicalização do sofrimento psíquico sob o recorte de gênero
tornam-se urgentes quando temos alguns discursos dominantes sobre gênero que colocam as
mulheres frequentemente em posição de maior subordinação. Além disso, tais discursos
cristalizam os modos de subjetivação das mulheres, fazendo com que parte de suas histórias
seja perpassada por um tipo de violência sutilmente disseminado através de vários
dispositivos e tecnologias sociais, por vezes legitimados pelo discurso médico. Propusemos
nesse trabalho, problematizar os atravessamentos dos discursos de gênero na medicalização
do sofrimento psíquico de mulheres que fazem uso de benzodiazepínicos (BZD). A pesquisa
teve delineamento qualitativo, e foram feitas entrevistas narrativas com nove mulheres entre
setembro e outubro de 2018. A pergunta disparadora da entrevista foi: “O que te levou a fazer
uso do BZD?”. A leitura das narrativas foi baseada na análise dos enunciados com inspiração
foucaultiana. Foi percebido nas narrativas produzidas pelas participantes o quanto a prática de
alguns profissionais da saúde ainda é muito permeada por um olhar biologizante,
individualista e universalizante. A complexidade histórica é, frequentemente, deixada de lado
em favorecimento de diagnósticos objetivos e supostamente neutros e prescrições
medicamentosas; os profissionais acabam por assumir um discurso disciplinador e docilizador
dos modos de subjetivação de mulheres. Também foi possível perceber as tensões presentes
nas mulheres, entre movimentos de resistência e de assujeitamento à medicalização, bem
como forças de reiteração e de ruptura por parte de alguns profissionais da saúde; um jogo de
poderes que nos revelou o quanto somos todos restringidos por uma série de normas
regulatórias, mas também potencialmente subversivos. É nessa posição de subversão que
encontramos espaço para propor uma forma mais ampliada e complexificada de compreender
o sofrimento psíquico que abarque a rede de saber/poder que modela os sujeitos e, deste
modo, tecer uma clínica que acolha tais mulheres e seus sofrimentos psíquicos com
comprometimento ético, estético e político.
Descrição
Citação
LIMA, Elaine Aparecida de. Eu, tu, elas: os atravessamentos dos discursos de gênero na medicalização do sofrimento psíquico de mulheres. 2019. 110 f. Dissertação (mestrado) - Universidade Católica de Pernambuco, Pró-Reitoria Acadêmica. Coordenação Geral de Pós-graduação. Mestrado em Psicologia Clínica, 2019.
