As implicações na vida amorosa dos homens com diagnóstico de HIV-AIDS.

dc.contributor.authorMoura, Geovane Lima
dc.date.accessioned2026-08-27T22:58:54Z
dc.date.available2026-08-27T22:58:54Z
dc.date.issued2025-12-10
dc.descriptionDissertação em texto completo.
dc.description.abstractA experiência de viver com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) demanda um olhar atento à subjetividade dos sujeitos que convivem com o vírus, especialmente no que se refere às formas de amar e serem amados. Motivando-se na experiência clínica e entendendo esta como uma lacuna sobre a qual se deseja contribuir, este estudo se ancora na psicanálise para compreender os efeitos do HIV sobre os vínculos amorosos, considerando os atravessamentos simbólicos, imaginários e sociais que configuram a experiência desses sujeitos, bem como a subjetivação da própria masculinidade, diante do fenômeno. Definiu-se como objetivos: analisar como fica a vida amorosa dos homens após a infecção do HIV/Aids; averiguar o contexto histórico, político e discursivo da epidemia de HIV/Aids e seus efeitos na constituição das subjetividades masculinas; examinar quais os efeitos narcísicos e os investimentos objetais nos casos de homens diagnosticados com HIV/Aids; compreender as modificações na forma de como o sujeito se relaciona com o objeto de amor e formas de gozo. O método adotado foi qualitativo, com base na escuta e na análise de conteúdo das entrevistas realizadas com oito participantes soropositivos, com idade entre 24 e 56 anos, com carga viral indetectável, em uso de antirretrovirais há mais de seis meses. Os principais resultados indicam que o HIV produz efeitos subjetivos singulares na experiência de cada sujeito, relacionados ao medo da rejeição e à recusa do amor principalmente quando essa infecção ocorre por meio de uma traição, escancarando a falta de cuidado daquele que diz amar, bem como, por outro lado, uma vivência amorosa mais consolidada. Observa-se que os discursos sociais estigmatizantes e da masculinidade hegemônica continuam a atravessar os vínculos afetivos. Em alguns casos, no entanto, quando a convivência com o vírus antecede a relação ou quando a infecção não se dá por traição, há a possibilidade de um alento e de um fortalecimento do vínculo amoroso. Mesmo diante de avanços biomédicos assegurando tratamento e controle do vírus e não letalidade, o amor aparece como ponto de tensão e, ao mesmo tempo, como possibilidade de construção de novos sentidos frente à vivência com o HIV. Conclui-se que os desdobramentos da infecção ocorrem de maneira singular em cada homem, atravessando a identidade de sua masculinidade, bem como os danos narcisísticos e egóicos, seja por meio do retraimento da libido ou pelas possibilidades de cumplicidade e afeto que se estabelecem nas relações amorosas. Nesse contexto, o amor se revela como uma importante questão para a ressignificação do diagnóstico, funcionando como espaço de acolhimento, reconhecimento e reconstrução da subjetividade diante da experiência do HIV, permitindo visibilizar seus modos de subjetivação e os desafios impostos pelos discursos normativos sobre a sexualidade e a sorologia.pt
dc.description.abstractThe experience of living with the Human Immunodeficiency Virus (HIV) demands a careful look at the subjectivity of the subjects who live with the virus, especially with regard to the ways of loving and being loved. Motivated by clinical experience and understanding this as a gap to which one wishes to contribute, this study is anchored in psychoanalysis to understand the effects of HIV on love bonds, considering the symbolic, imaginary and social crossings that configure the experience of these subjects, as well as the subjectivation of masculinity itself, in the face of the phenomenon. The objectives were: to analyze how men's love life is after HIV/AIDS infection; to investigate the historical, political and discursive context of the HIV/AIDS epidemic and its effects on the constitution of male subjectivities; to examine the narcissistic effects and object investments in the cases of men diagnosed with HIV/AIDS; to understand the changes in the way the subject relates to the object of love and forms of jouissance. The method adopted was qualitative, based on listening and content analysis of interviews conducted with eight seropositive participants, aged between 24 and 56 years, with an undetectable viral load, using antiretrovirals for more than six months. The main results indicate that HIV produces unique subjective effects in the experience of each subject, related to the fear of rejection and the refusal of love, especially when this infection occurs through betrayal, exposing the lack of care of the one who claims to love, as well as, on the other hand, a more consolidated love experience. It is observed that stigmatizing social discourses and hegemonic masculinity continue to cross affective bonds. In some cases, however, when living with the virus precedes the relationship or when the infection is not due to betrayal, there is the possibility of a breath of fresh air and a strengthening of the love bond. Even in the face of biomedical advances ensuring treatment and control of the virus and non-lethality, love appears as a point of tension and, at the same time, as a possibility of building new meanings in the face of living with HIV. It is concluded that the unfolding of the infection occurs in a unique way in each man, crossing the identity of his masculinity, as well as the narcissistic and egoic damage, either through the withdrawal of libido or through the possibilities of complicity and affection that are established in love relationships. In this context, love reveals itself as an important issue for the resignification of the diagnosis, functioning as a space for welcoming, recognizing and reconstructing subjectivity in the face of the HIV experience, allowing its modes of subjectivation and the challenges imposed by normative discourses on sexuality and serology to be visible.en_US
dc.identifier.citationMOURA, Geovane Lima. As implicações na vida amorosa dos homens com diagnóstico de HIV-AIDS. 2025. 118 f. Mestrado (Dissertação) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Mestrado Profissional em Psicologia Clínica, Recife, 2025.
dc.identifier.urihttps://tede2.unicap.br/handle/123456789/2149
dc.language.isopt
dc.publisherUNICAP
dc.subjectDissertações
dc.subjectPsicanálise
dc.subjectHIV
dc.subjectHomens
dc.subjectRelações humanas
dc.subjectAmor - Aspectos psicológicos
dc.titleAs implicações na vida amorosa dos homens com diagnóstico de HIV-AIDS.pt
dc.typeDissertation

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