Universidade Católica de Pernambuco

Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações

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  • Sistema de publicação eletrônica de teses e dissertações

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    “...Ela é o meu espelho e é suicida igual a mim”: a construção de caso clínico de uma adolescente em psicanálise.
    (UNICAP, 2025-10-17) Silva, Dora Guerra Victor
    Esta pesquisa decorre de uma experiência em uma clínica-escola de Psicologia na escuta a adolescentes. A adolescência consiste em um momento importante da constituição subjetiva do sujeito; nela, ocorre o distanciamento dos ideais de referências infantis. Diante da fragilidade dos referenciais simbólicos, o recurso à palavra cede espaço ao ato, ao agir, ao colocar-se em risco, por vezes, resultando em tentativas de suicídio ou mesmo em sua concretização. Nos últimos anos, o Brasil teve um aumento de 81% nos casos de suicídio na população entre 15 e 19 anos de idade. Em Pernambuco, em 2024, foram registradas 1.129 tentativas de suicídio na faixa etária de 10 a 19 anos. Embora o suicídio seja considerado um fenômeno de massa, uma problemática social de saúde pública, foi na escuta singular a uma adolescente que esta temática nos fez interrogar algumas questões. Anne – nome fictício para salvaguardar a identidade – teve uma vida marcada pelo abandono parental, mais significativamente o materno. A adolescente chegou para o atendimento com queixas de crise de ansiedade, automutilação e tentativas de suicídio. Após narrar sua história, notamos alguns pontos que se aproximavam de acontecimentos vividos por sua mãe em sua juventude. As repetições nos fizeram indagar sobre as identificações entre mãe e filha na trama familiar e sobre as marcas da transmissão psíquica geracional. A leitura clínica do caso demandou sua articulação com algumas noções psicanalíticas, a exemplo da passagem ao ato e do acting out, do agir adolescente, do infamiliar freudiano, do estádio do espelho, do narcisismo. Para tanto, traçamos como objetivo geral: analisar a tendência ao agir suicida de uma adolescente, articulando com os traços identificatórios que permeiam a transmissão psíquica geracional. E os seguintes objetivos específicos: 1) articular as noções psicanalíticas de identificação e transmissão psíquica geracional com o trabalho que configura a operação adolescente; 2) discutir sobre o processo adolescente, circunscrevendo a tendência ao agir e o risco de suicídio; e 3) Articular, a partir da construção do caso clínico, as marcas identificatórias entre mãe e filha com o infamiliar freudiano e o estádio do espelho em Lacan. Essa pesquisa foi pautada em uma construção do caso clínico em psicanálise que decorreu de uma escolha transferencial do que se fez questão a partir de um caso, visando construir um saber sobre. Materiais como os registros de cada sessão, anotações feitas a partir das supervisões, a memória anacrônica da profissional, foram essenciais para possibilitar a construção. A partir da discussão dos conceitos que emergiram do caso, foi possível aprofundar a relação entre mãe e filha nas possíveis identificações, nas transmissões psíquicas que atravessaram suas vidas e as marcas que surgiram a partir disso. Este percurso possibilitou articular essas marcas para além do ato de colocar-se em risco: foram marcas que demarcaram e constituíram suas subjetividades. Esta pesquisa se faz relevante para os serviços de saúde mental, para políticas públicas, assim como para o avanço da clínica psicanalítica com adolescentes, através de sua transmissão teórica e clínica.
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    Teologia do Encontro na Amazônia: de Emaús (Lc 24,13-35) às comunidades dos Rios Madeira, Uruapeara, Marmelos e Jauari.
    (UNICAP, 2026-08-15) Botelho, Edinilton de Castro
    A pesquisa insere-se no campo da teologia pastoral contextual e tem como tema a categoria do encontro como eixo estruturante da evangelização nas comunidades ribeirinhas da Amazônia, situadas às margens dos rios Madeira, Uruapeara, Marmelos e Jauari. Parte-se da constatação de que a vida comunitária nesses contextos é marcada por experiências simultâneas de encontro e desencontro, que influenciam diretamente a vivência da fé e o dinamismo missionário. O objetivo geral consiste em aprofundar a compreensão teológica do encontro como princípio capaz de sustentar e renovar a evangelização amazônica, à luz do relato dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) e da cristologia do encontro. A metodologia adotada possui caráter qualitativo e bibliográfico, articulando análise exegética do texto lucano, diálogo com a teologia sistemática e pastoral e interpretação da experiência missionária vivida como locus teológico. Os resultados indicam que o encontro com Cristo, compreendido como processo que envolve aproximação, escuta, iluminação e envio, constitui dinamismo transformador que reconfigura identidades, fortalece vínculos comunitários e impulsiona o compromisso missionário. Evidencia-se também que a pedagogia de Jesus em Emaús oferece paradigma teológico-pastoral aplicável à realidade amazônica, favorecendo uma evangelização inculturada, relacional e comprometida com a vida. Conclui-se que uma Teologia do Encontro, fundamentada na encarnação e na dimensão relacional da fé cristã, pode oferecer bases sólidas para a formação de discípulos missionários e para o fortalecimento das comunidades ribeirinhas, contribuindo para uma ação evangelizadora integrada à realidade social, cultural e ecológica da Amazônia.
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    Maracatu e devoção: o encanto do Pina e as práticas culturais de identificação
    (UNICAP, 2025-10-22) Medeiros, Jair Nery de
    Este trabalho analisa as interações entre o Maracatu Nação Encanto do Pina e as religiões afro-brasileiras, com ênfase nas trajetórias espirituais de seus integrantes e nos processos de resistência cultural e de construção identitária. Compreendido como expressão simbólica que transcende o campo do espetáculo, o maracatu de Baque Virado manifesta-se como prática espiritual, política e social. A investigação aborda o maracatu como patrimônio imaterial, ancorado na memória coletiva e nas tradições do candomblé, da jurema e da umbanda, ressignificando os espaços urbanos por meio da vivência do sagrado. A Nação Encanto do Pina, fundada em 1985 sob a liderança pioneira de Mestra Joana D’Arc Cavalcante, destaca-se por promover o protagonismo feminino e integrar tradição e inovação no universo do maracatu. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas e na análise de conteúdo, articulada a uma perspectiva sócio-histórica. A escuta atenta de quatro participantes do grupo evidencia como a religiosidade estrutura o pertencimento e a corporeidade no maracatu. A fundamentação teórica apoia-se em autores como Stuart Hall (2003; 2006), Néstor García Canclini (2008), Kathryn Woodward (2014), Guerra-Peixe (2007), Katarina Real (1990) e Raul Lody (2003). Os resultados indicam que a espiritualidade afro-brasileira atua como força estruturante das práticas do Encanto do Pina, funcionando como instrumento de resistência diante do racismo e da intolerância religiosa. A pesquisa contribui para os estudos da religião e da cultura ao valorizar as epistemologias oriundas das periferias urbanas e das tradições orais como formas legítimas de produção de conhecimento e ação política
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    Convivência entre gerações na dinâmica conjugal e parental: desafios e potencialidades em um estudo biopsicossocial.
    (UNICAP, 2026-02-24) Aureliano, Rodrigo de Oliveira
    A longevidade delineia uma tendência global que transforma a demografia, molda a qualidade de vida e a dinâmica familiar, promovendo processos de qualidade positiva e negativa entre os membros da família. Esta tese teve como objetivo compreender como o microssistema avós-netos repercute no relacionamento conjugal dos pais, na perspectiva destes. Especificamente, buscou-se identificar como se dá a relação avós, pais e netos na família; bem como analisar os aspectos positivos e negativos do microssistema avós e netos na vida do casal; além de captar se há conflitos nos mesossistemas e havendo como são resolvidos. Para tanto, a pesquisa utilizou o método qualitativo, transversal, com uma amostra por conveniência. Os participantes desta amostra foram oito (08) pais, sendo seis (06) do sexo feminino e dois (02) do sexo masculino, casados ou em união estável, heterossexuais, com idades entre 33 e 68 anos, convidados a responder aos instrumentos de coleta de dados. Como instrumentos de coleta, aplicaram-se uma entrevista, com questões alinhadas aos objetivos da pesquisa e conduzida de forma semidirigida, e um questionário biossociodemográfico. Fundamentou-se teoricamente na perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano, considerando a família como um sistema sociocultural aberto e dinâmico, cujas inter-relações se constituem especialmente entre microssistema e mesossistemas e se modificam ao longo do cronossistema. De forma geral, os resultados indicam que o microssistema avós-netos exerce influência ambivalente sobre a conjugalidade dos pais. Destacam-se o apoio instrumental e emocional dos avós, a centralidade dos processos proximais intergeracionais, a redefinição do papel dos avós na contemporaneidade e a dimensão temporal das relações familiares, elementos que favorecem a relação conjugal e a redução da sobrecarga parental, sobretudo quando há fronteiras intergeracionais bem estabelecidas. Também emergem aspectos tensionadores, como a interferência direta do microssistema avós-netos no subsistema conjugal, a fragilidade das fronteiras familiares quando as inter-relações são de qualidade negativa, a ativação de conteúdos transgeracionais e o deslocamento de conflitos intergeracionais para o relacionamento conjugal, especialmente em contextos de disputas de autoridade ou deslegitimação do casal parental. A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano possibilitou integrar essas dimensões, evidenciando a conjugalidade como um processo relacional, contextual e historicamente situado, atravessado por múltiplos sistemas em interação. Dentre os achados, conclui-se que a intergeracionalidade se configura como um elemento central na constituição e na dinâmica das relações conjugais, atravessando-as de maneira bioecológica ao longo do ciclo vital. Tal processo evidencia-se nas interações recíprocas e contínuas entre os diferentes microssistemas familiares, revelando-se fundamental para a compreensão do desenvolvimento humano, das transformações familiares e das repercussões que emergem nas relações conjugais e parentais ao longo do tempo.
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    A compreensão sobre a “síndrome da insuficiência familiar” por profissionais da saúde: uma análise à luz da gerontologia social crítica.
    (UNICAP, 2025-09-19) Morethe, Anita Rheno
    Esta pesquisa de Mestrado do Programa de Psicologia Clínica da Universidade Católica de Pernambuco é um recorte de um projeto guarda-chuva intitulado “Vulnerabilidade e condições sociais e de saúde da pessoa idosa na Atenção Primária e Instituições de Longa Permanência: Estudo comparativo no Brasil, Portugal e Espanha”, CAAE: 36278120.0.1001.529, número do parecer 4.267.762, coordenada pelo Prof. Dr. Gilson de Vasconcelos Torres (UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte), representada pela UNICAP em Pernambuco. No Brasil, cerca de 32 milhões de brasileiros/as em 2022, de acordo com os dados publicados em 2023 pelo IBGE, tinham 60 anos de idade ou mais. Vale destacar que o envelhecimento humano é heterogêneo, trata-se de velhices. Nos estudos da gerontologia e geriatria tradicionais, são elencados alguns processos adoecedores da pessoa idosa e, entre eles, gostaríamos de destacar a Síndrome da Insuficiência Familiar. A referida síndrome, no Brasil, é caracterizada pela redução drástica da capacidade da família de prestar apoio a seus membros idosos, seja pela falta de condições socioeconômicas, seja pela redução do quantitativo de componentes. Consideramos que a nomenclatura carrega significados/sentidos sobre responsabilização familiar. Observamos, contudo, que da família se requer mais ou total responsabilidade mas, do Estado, por meio da Proteção Social Formal, há uma progressiva escusa de deveres, com redução de investimentos nas Políticas Sociais. Tal realidade pede o exercício de ultrapassagem da aparência em busca do entendimento da essência desse fenômeno (transferência de responsabilidades em relação ao cuidado com a pessoa idosa). Essa tarefa se alinha com a Gerontologia Social Crítica em conformidade com a teoria social de Karl Marx. Dito isto, o objetivo geral desta pesquisa é analisar a compreensão dos profissionais da saúde, que atuam no cuidado às pessoas idosas em instituições diversas de saúde, acerca da Síndrome da Insuficiência Familiar. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, com amostragem por conveniência, transversal, analítica e descritiva. Participaram da pesquisa 10 profissionais de nível superior que atuavam no cuidado às pessoas idosas, independentemente da idade, gênero, etnia, grau de escolaridade, classe social, estado civil e religião. Para coleta de dados, utilizou-se um questionário sociodemográfico e um roteiro de entrevista semiestruturada para atender aos objetivos da pesquisa. A análise dos dados ocorreu por meio da análise de conteúdo temática, proposta por Bardin. Resultados: Os resultados apontaram o desconhecimento do conceito da Síndrome da Insuficiência Familiar e a estranheza ante a nomenclatura/terminologia que sincretiza termos biomédicos com uma instituição social, patologizando-a. Apenas duas profissionais conheciam o conceito da Síndrome da Insuficiência Familiar, e estas haviam se especializado na área da gerontologia. Apesar de compreender o conceito, uma delas não concordou nem com a terminologia e nem com os aspectos que a caracterizam, fazendo uma crítica à culpabilização da família e ampliando o olhar para a responsabilização do Estado. Considerações finais: A Síndrome da Insuficiência Familiar não é amplamente conhecida pelos profissionais de saúde e o seu conceito não reflete a essência da realidade. As famílias estão mudando quanto ao número de membros e as mulheres adentraram no mercado de trabalho sim, no entanto, esses não são os motivos que podem causar piora na condição de saúde das pessoas idosas. A ausência de políticas sociais públicas para compor uma proteção social e compartilhar com as famílias a responsabilidade pelo cuidado com seus membros pode condicionar a piora da saúde das pessoas idosas.