“Rap é compromisso": uma cartografia dos dizeres a partir da vivência no rap.

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UNICAP
A presente dissertação tentou responder a seguinte questão: poderia o rap ser compreendido como expressão de subjetividades e ser utilizado como uma ferramenta de ação clínica e promoção de saúde em uma perspectiva de clínica ampliada? e, como objetivo que norteia nosso estudo, cartografar os processos de subjetivação do jovem de periferia, a partir do rap, e analisar as possibilidades oferecidas por este dispositivo enquanto expressão cultural e possibilidade de ação clínica. Os caminhos trilhados para seguir tal objetivo foram: caracterizar a periferia enquanto território e este jovem que a habita, questionando o lugar que estes ocupam na sociedade; propiciar um espaço de escuta para a expressão dos sentidos encontrados através do uso do gênero musical rap; e analisar, a partir dos caminhos do rap, como podem se configurar enquanto modalidade de ação clínica. Buscamos mapear as ideias do rap, como e onde veio, suas origens, o movimento hip-hop e sua importância para a população negra e periférica que o consome e do qual faz parte. No campo da Psicologia Clínica, buscamos conceituar uma psicologia “clássica”, com um fazer eurocentrado para, a partir dele, trazer um contraponto com a necessidade e emergência de um olhar decolonial e interseccional para a psicologia clínica. A pesquisa-intervenção foi realizada utilizando como caminho metódico a abordagem cartográfica; o campo foi realizado no território-rua (territórios periféricos), adotando-se o diário de bordo para registro das participações em edições da Batalha da Escadaria, importante batalha de rima, tombada como patrimônio imaterial da cidade do Recife, bem como entrevistas-conversas com Mc’s que fazem parte da Batalha da Escadaria, A partir das entrevistas-conversas, chegamos a alguns eixos centrais, foram eles: O Racismo e a Estigmatização do Rap: Resistência, Identidade e Subjetividade Negra; A Construção da Subjetividade Negra e o Rap como Espaço de Afirmação; Persistência Feminina e o Lugar da Mulher no Rap; e O Rap como Educação e Produção de Conhecimento Marginal. A partir destes pontos, pudemos observar a dimensão de denúncia e resistência, além da dimensão educativa do rap, como também caracterizá-lo como uma ferramenta de ação clínica e promoção de saúde, em uma compreensão de clínica ampliada. O rap se mostrou como um vetor de forças que permite aos jovens de periferia quebrar estigmas e abrir caminho para novas compreensões da própria existência, e meio de diversos processos de subjetivação, buscando mais do que aquilo que nos é empurrado por uma sociedade excludente e necropolítica para com a juventude e a população negra.

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SANTOS, Paulo Ricardo Pereira dos. “Rap é compromisso": uma cartografia dos dizeres a partir da vivência no rap. 2025. 136 f. Mestrado (Dissertação) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Mestrado Profissional em Psicologia Clínica, Recife, 2025.