Por uma clínica psicanalítica possível na esclerose lateral amiotrófica.
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Universidade Católica de Pernambuco
The Thesis “For a Possible Psychoanalytic Clinic in Amyotrophic Lateral Sclerosis” reflects on
the possibility of a clinic, from a psychoanalytic perspective, with people with the
neurodegenerative disease Amyotrophic Lateral Sclerosis (ALS), also called syndrome of
incarceration. From a listening clinical position, erected through the historical invention of
psychic suffering and under the theoretical-epistemological framework of Fundamental
Psychopathology, we face the pathos - the subject's experience of suffering - in the context of
physical illness in order to consider the silenced body as a pathic body. Considering the
psychoanalytic care of neurological patients, we place among the neurological disorders in the
category of Motor Neuron Diseases, the dramatic diagnosis of ALS as a destination that
perspective for the subject the condition of “prisoner in his own body”. Then, from the point of
view of psychoanalysis and clinical psychology, we raise the issues of communicability in the
follow-up of patients whose advanced condition often imposes speech loss. As it is a qualitative
research in Fundamental Psychopathology and Psychoanalysis, we seek to promote a
transdiscursive dialogue between the different approaches about the psychopathological given in
the body condition in ALS. Thus we started from the objective of investigating the possibilities of
a psychoanalytic clinic with subjects affected by ALS in situations of incarceration syndrome. The
study participants were six professional therapists, four psychoanalysts and two psychoanalytic /
psychodynamic oriented psychologists, with experience of clinical care of people affected by
ALS. The sampling was based on convenience criteria and included psychoanalysts and clinical
psychologists who stated that they were acting on a psychodynamic / psychoanalytic basis who
have already treated or are attending patients diagnosed with ALS with dysarthria / anarthria.
These professionals were residents of the cities of Maceió, Recife, São Paulo and Rio de Janeiro
who through a semi-structured interview gave a free statement from triggering questions such as:
a) in their experience with the care of subjects affected by ALS in condition of dysarthria /
anarthria do you act with the psychoanalytic method? How?; and b) considering the techniques /
methods / strategies you use with these patients, what can be identified as being proper to
psychoanalysis? Because? The statements were analyzed in the light of a reflection with some
theoretical contributions of Psychoanalysis such as Freud's method and transference, Ferénczi's
technical innovations as touch and sensible presence, and language, the Symbolic and the Real in
Lacan, plus the notion of scopic drive. Finally we consider that the possible psychoanalytical
clinic for subjects affected by ALS is a “mosaic clinic”, whose singular assembly implies the
articulation of different resources and strategies where the technique is supported by the
transference. We conclude that it is a psychoanalytical look and a psychoanalytic listening as a
welcome, which presuppose the construction of this possible clinical mosaic in ALS where the
look itself is heard in the absence of the word.
A tese de doutoramento “Por uma clínica psicanalítica possível na Esclerose Lateral Amiotrófica”
reflete sobre a possibilidade de uma clínica, de perspectiva psicanalítica, junto a pessoas
acometidas pela doença neurodegenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em estado de
disartria/anartria, também chamado síndrome do encarceramento. A partir de uma posição clínica
de escuta, erigida mediante a invenção histórica do sofrimento psíquico e sob o referencial
teórico-epistemológico da Psicopatologia Fundamental, colocamo-nos frente ao páthos - a
experiência de sofrimento do sujeito - no contexto da doença física de modo a considerar o corpo
silenciado enquanto corpo pático. Considerando o atendimento psicanalítico de pacientes
neurológicos, situamos dentre as afecções neurológicas na categoria das Doenças do Neurônio
Motor, o dramático diagnóstico da ELA como um destino que perspectiva para o sujeito a
condição de “prisioneiro em seu próprio corpo”. Em seguida, sob o ponto de vista da Psicanálise e
da psicologia clínica, levantamos as questões da comunicabilidade no acompanhamento de
pacientes cujo quadro avançado frequentemente impõe a perda da fala. Em se tratando de uma
pesquisa qualitativa em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise, buscamos promover um
diálogo transdiscursivo entre as diferentes abordagens sobre o psicopatológico dado na condição
de corpo na ELA. Partimos assim do objetivo de investigar as possibilidades de uma clínica
psicanalítica junto a sujeitos acometidos pela ELA em situação de síndrome do encarceramento.
Foram participantes da pesquisa seis profissionais terapeutas, quatro psicanalistas e dois
psicólogos de orientação psicanalítica/psicodinâmica, com experiência de atendimento clínico de
pessoas acometidas pela ELA. A amostragem deu-se por critério de conveniência e incluiu
psicanalistas e psicólogos clínicos que declararam atuar com base psicodinâmica/psicanalítica que
já tenham atendido ou estejam atendendo pacientes diagnosticados de ELA com disartria/anartria.
Tais profissionais eram residentes nas cidades de Maceió, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro que
por meio de uma entrevista semiestruturada deram um depoimento livre a partir perguntas
disparadoras como: a) em sua experiência com o atendimento de sujeitos acometidos pela ELA
em condição de disartria/anartria você atua com o método psicanalítico? De que modo?; e b)
considerando as técnicas/métodos/estratégias que você usa com esses pacientes, o que pode ser
identificado como sendo próprio da Psicanálise? Por quê? Os depoimentos foram analisados à luz
de uma reflexão com alguns aportes teóricos da Psicanálise como o método e a transferência em
Freud, as inovações técnicas de Ferénczi, como o tato e a presença sensível, e a linguagem, o
Simbólico e o Real em Lacan, acrescido da noção de pulsão escópica. Enfim consideramos que a
clínica psicanalítica possível para sujeitos acometidos pela ELA é uma “clínica de mosaico”, cuja
montagem singular implica a articulação de diferentes recursos e estratégias onde a técnica se
sustenta pela transferência. Concluímos que é um olhar psicanalítico e uma escuta psicanalítica
enquanto acolhimento, que pressupõem a construção desse mosaico da clínica possível na ELA
onde o olhar propriamente dito se faz escuta na ausência da palavra.
Descrição
Citação
CALADO, Everton Fabrício. Por uma clínica psicanalítica possível na esclerose lateral amiotrófica . 139 f. : Tese (Doutorado) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Doutorado em Psicologia Clínica, 2019.
