A experiência de crianças com câncer nas primeiras hospitalizações para o tratamento da doença: uma leitura fenomenológica.

dc.contributor.authorMaia, Anice Holanda Nunes
dc.date.accessioned2026-06-03T22:33:03Z
dc.date.available2026-06-03T22:33:03Z
dc.date.issued2025-10-20
dc.descriptionDissertação em texto completo.
dc.description.abstractO câncer infantojuvenil impõe às crianças diagnosticadas com essa doença hospitalizações recorrentes para submissão ao tratamento, que é longo e agressivo. A compreensão de como as crianças se situam em relação à ruptura do seu contexto cotidiano quando passam a conviver com o hospital, com suas normas, rotinas e procedimentos é um tema pertinente no campo das práticas psicológicas clínicas em face de demandas sociais contemporâneas, mais precisamente no âmbito das políticas públicas de saúde para a infância e a adolescência e no nível terciário de atenção à saúde, em hospitais de oncologia pediátrica. Como humano que está no centro dessa vivência, é desejável que a criança seja a colaboradora das pesquisas, falando por si, com seu modo singular de existir e com sua linguagem. Portanto, este estudo tem o fito de compreender a experiência de crianças com câncer nas primeiras hospitalizações para o tratamento da doença a partir de uma leitura fenomenológica, com fundamentação na Fenomenologia Hermenêutica de Martin Heidegger, adotando a situação hermenêutica como caminho investigativo. Como recursos escolhidos, em coerência com o ponto de vista e perspectivas adotadas, foram realizados encontros para entrevistas narrativas com crianças que atravessam suas primeiras hospitalizações e anotações no diário de afetações, entre março e junho de 2025, em um hospital do Sistema Único de Saúde que mantém um centro de referência especializado no tratamento do câncer infantojuvenil. Colaboraram para a investigação seis crianças – quatro meninas e dois meninos – por meio de suas falas complementadas por um desenho sobre o “estar no hospital”. A análise da situação hermenêutica mostrou as bases existenciais do Dasein que desvelam a criança como ser-no-mundo; o adoecimento como travessia existencial; o hospital como novo espaço existencial; os sentidos elaborados e o projetar-se das crianças a partir dos horizontes de possibilidades. Nesse movimento hermenêutico, elas sugerem, de modo muito particular, estar vivenciando um deslocamento existencial entre o seu cotidiano e os desdobramentos da descoberta do câncer, do qual fazem parte a família, a escola e a comunidade; pela imersão no ambiente hospitalar e pela convocação a interpretar e compreender esse novo contexto, elaborando sentidos e novas formas de existir entre movimentos de familiaridade, apropriação, estranhamento e sofrimento. O amparo familiar e a interação com outras pessoas que coabitam o mundo hospitalar são recursos significativos revelados. O brincar é explicitado como um modo relevante de ser e de se expressar. Esses desvelamentos contribuem para a compreensão da criança com câncer a partir de uma ontologia fundamental, proporcionando uma visão sobre ela como Dasein, em abertura existencial, distinta de concepções deterministas sobre a infância. O conteúdo que pôde ser tornado explícito neste estudo pode colaborar para a oncologia pediátrica e hospitais pediátricos, nas dimensões da gestão da humanização e da educação permanente, com a qualificação da relação dos profissionais com a criança; na valorização dos programas de humanização, com a atuação de voluntários; e na aplicação da psicologia ao contexto hospitalar a partir da perspectiva fenomenológico-hermenêutica.pt
dc.description.abstractCancer on children and young people impose on children diagnosed with that disease recurring hospitalizations in order to undergo treatment, which is long and aggressive. Understanding how children situate themselves regarding the disruption of their everyday context when they start coexist with the hospital environment, their rules, routines and procedures is a relevant subject in the field of contemporary social demands, more precisely on the scope of public health policies for children and adolescentes and on the terciary level of healthcare, in pediatric oncology hospitals. As a human who is at the core of this experience, is desirable for a child to be survey collaborator, speaking for himself/herself, with his/her particular manner of existing and his/her language. Therefore, this study has the purpose of understanding children with cancer’s experience on the first hospitalizations for disease treatment from a phenomenological reading, with justification on Martin Heidegger’s Hermeneutic Phenomenology, adopting hermeneutic situation as the inquiring path. As chosen resources, in coherence with the adopted point of view and perspectives, meetings were held for narrative interviews with children who are going through their first hospitalizations and notes on the diary of affections, between March and June 2025, at a Sistema Único de Saúde hospital that maintains a reference center specialized in treating cancer on children and young people. Six children have collaborated – four girls and two boys – through their talks complemented by a drawing about “staying at the hospital”. Hermeneutic situation analysis has showed the existential bases of Dusein that unveil the child as a being-in-the-world; sickening as an existential crossing; the hospital as a new existential ground; elaborated senses and children projecting themselves through possibility horizons. In this hermeneutic movement, they hint at, in a very particular manner, be experiencing a existential displacement between their everyday life and developments from cancer discovery, of what took part family, school, and community; by immersion into hospital ambience and a call to interpret and comprehend this new context, elaborating senses and new ways of existing among moves of acquaintance, appropriation, estrangement, and suffering. Family support and interaction with other people who live together in the hospital ambience are powerful resources revealed. Playing is made explicit as a relevant way of being and expressing. These unveilings contribute to the comprehension of a child with cancer from a fundamental onthology, providing a vision about him/her like Dasein, in a existential opening, distinct from deterministic conceptions on childhood. The content that might been made explicit in this study can collaborate to pedriatic oncology and pedriatic hospitals, in dimensions of management of humanization and permanent education, with qualification of the relationship of professionals with children; appreciation of humanization programs, with volunteers’ acting; and application of psychology in the hospital context from a phenomenological and hermeneutic outlook.en_US
dc.identifier.citationMAIA, Anice Holanda Nunes. A experiência de crianças com câncer nas primeiras hospitalizações para o tratamento da doença: uma leitura fenomenológica. 2025. 149 f. Mestrado (Dissertação) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Mestrado Profissional em Psicologia Clínica, Recife, 2025.
dc.identifier.urihttps://tede2.unicap.br/handle/123456789/2126
dc.language.isopt
dc.publisherUNICAP
dc.subjectDissertações
dc.subjectCâncer nas crianças
dc.subjectPsicologia fenomenológica
dc.subjectAssistência hospitalar
dc.subjectCrianças
dc.titleA experiência de crianças com câncer nas primeiras hospitalizações para o tratamento da doença: uma leitura fenomenológica.pt
dc.typeDissertation

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