Memória histórica da Comunidade Quilombola Timbó de Garanhuns.
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Universidade Católica de Pernambuco
This report aims to endorse the scientific research that has been developed by researchers,
anthropologists and historians, José Maurício Arruti, Jhonny Cantarelli, Janine Primo Carvalho
Meneses and José Eduardo da Silva on the Quilombola community of Timbó. A cultural
heritage living under the threat of losing its historical identity, due to absence of governmental
investments to maintain its existence. Forgetfulness, faced by many researchers who study the
Quilombos in Brazil, reminds of the designed neglect to bury the past that insists on staying
alive, mirrored by the Church of Nossa Senhora de Nazaré, built by the Quilombola community
itself and it remains a symbol of resistance, a cultural heritage that deserves protection as a way
of maintaining national cultural diversity. According to Munanga (1996) Brazilian quilombola
peoples originate from Angola and Zaire, mainly from the Lunda, Ovimbundu, Mbundu, Kongo
and Imbangala groups. Gomes (2015) recorded the appearance of quilombos in 1575 in Bahia,
in sugarcane fields and sugar mills. Carvalho (1996) highlighted that enslaved people, angry
with forced labor and mistreatment by their masters, fled to forests, used as hiding places. In
this scenario, the historical formation of the Timbó community has as its main characteristic
the arrival of José Vitorino and the image of the saint who protected him, when he settles in the
vicinity of Garanhuns he starts a new family by marrying a native woman, together they raise
children, and they welcome other fugitive captives giving rise to a Quilombo. Like so many
others spread across Brazilian territory, they resist oppression in search of freedom. Religion,
territoriality, ancestry, memory, resistance and commitment to freedom, make up the legend of
the Timbó Community. The narratives of Cantarelli, Emerson Araújo da Silva and José Carlos
Lopes da Silva revealed that the quilombolas face the absence of public policies for education,
health, conservation of cultural history, little by little the history kept in the memory of the
elderly is being forgotten as they die and young people are unaware of their origins and
sometimes do not even identify themselves as quilombolas. Therefore, the elaboration and
dissemination of the Booklet, product of this research, made available in physical format and
online, aims to contribute in maintaining the memory of Quilombo of Timbó alive.
O presente relatório dialoga com a pesquisa científica desenvolvida ao longo de anos pelos
pesquisadores, antropólogos e historiadores, Jhonny Cantarelli, Janine Primo Carvalho
Meneses, José Maurício Arruti e José Eduardo da Silva, sobre a comunidade quilombola de
Timbó, um patrimônio cultural, vivendo sob a ameaça de perder sua identidade histórica em
decorrência da ausência de investimentos governamentais para manter sua existência. O
esquecimento, encarado por muitos estudiosos dos quilombos no Brasil, remete ao descaso
proposital para enterrar o passado que insiste em se manter vivo. Tal passado espelhado na
Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, edificada pela própria comunidade quilombola, mantém-se
como símbolo da resistência: um patrimônio cultural que merece proteção como forma de se
manter a diversidade cultural nacional. Segundo Munanga (1996) os povos quilombolas
brasileiros são originários de Angola e Zaire, principalmente dos grupos Lunda, Ovimbundu,
Mbundu, Kongo, Imbangala. Gomes (2015) registrou o aparecimento de quilombo na data de
1575 na Bahia, nos canaviais e engenhos. Já Carvalho (1996) ressaltou que os escravizados
revoltados com o trabalho forçado e os maus tratos dos senhores, fugiam para matas, usadas
como esconderijo. Nesse cenário, a formação histórica da comunidade do Timbó tem como
característica principal a chegada de José Vitorino e a imagem da santa que o protegia. Ao
instalar-se nas proximidades de Garanhuns, inicia uma nova família ao casar-se com uma
mulher nativa. Juntos criam seus filhos e acolhem outros fugidos, dando surgimento a um
quilombo. Igualmente a tantos outros espalhados pelo território brasileiro, resistem à opressão
em busca da liberdade. Religião, territorialidade, ancestralidade, memória, resistência e o
empenho pela liberdade compõem o lendário da comunidade de Timbó. As narrativas de
Cantarelli, Emerson Araújo da Silva e José Carlos Lopes da Silva revelaram que os quilombolas
enfrentam ausência de políticas públicas para a educação, saúde e conservação da história
cultural. Aos poucos, a história guardada na memória dos mais velhos vai sendo esquecida à
medida que estes falecem e os jovens desconhecem suas origens e alguns nem se identificam
como quilombolas. Portanto, a elaboração e a divulgação da Cartilha, produto dessa pesquisa,
disponibilizada no formado físico e online visa contribuir para manter a memória do quilombo
do Timbó viva.
Descrição
Citação
FIGUERÊDO, Célia Alves da Cruz; CADENA, Paulo Henrique Fontes. Memória histórica da Comunidade Quilombola Timbó de Garanhuns. 2023. 107 fl. Relatório técnico (Mestrado) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em História. Mestrado Profissional em História, Recife, 2023.
