Análise crítica do discurso sobre a democracia racial em Casa-Grande e Senzala, nas notícias e na hashtag: #justiçapormiguel.
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Universidade Católica de Pernambuco
We experience a distint time in which access to information is increasing every day, and so
on, people are able to interact as in no other time, from this interaction several debates are
happening on topics never before discussed on a large scale, and one of them is what we will
see here in this research: the so-called Brazilian racial democracy as a construct of
contemporary racism. The problem that we will observe diachronicly is knowing that racial
democracy has been sustained for ideological and political purposes in which way do
discursive naturalizations about racial democracy over the years contribute to the
naturalization of current racism? The general aim is analyzing discursive naturalizations of
Brazilian racial democracy as a mechanism to support contemporary racism. Some of the
specific objectives are: 1. Reconstructing the historical context of the Brazilian racial
democracy myth; 2. Identify Gilberto Freyre's discursive and ideological position in the CasaGrande & Senzala book related to his defense of Brazilian racial democracy; 3. Prove and
reconstruct the media discourses about The Miguel Case related to the racial democracy idea
through the Critical theory of Discourses; 4. Analysing the popular discourses through de
news comments about the Miguel case and through the hashtags from the same case by the
Critical theory of discourse;5. Correlating decolonial and post-colonial studies with the
corpora research. According to Fernandes (2007, p.61), Gilberto Freyre systematized the myth
of a racial democracy through the ideia of a miscegenation theory. This systematization said
by the author is related to the work of Casa-Grande & Senzala, which brings up precisely the
issue of racial miscegenation in Brazil in exchange for the valorization of the Brazilian black
identity. The same author (2007) discusses the marginal situation of the black today, stating
that the destitution of the slave took place in Brazil harshly, it represented the last plunder he
suffered, much more than a gift or a concrete opportunity. As stated by Camargo & Ferreira
(2011): “It seems to be politically correct to treat Afro-descendants as 'dark'. This euphemism,
strongly rooted in Brazilian culture, is a symbolic resource to escape the reality in which
discrimination reigns “As blacks constituted, since the colonial period, the majority of the
population, and whites a minority, an intermediate category was created, the mulatto, which
served as an escape valve for racial tension”. the myth of racial democracy is discussed in
society, what we propose as a differential for studies related to the naturalizations of this
democracy is the exposure of a view coming from Critical Discourse Analysis (ACD), as
stated by Teo (2000) who intends to "unveil the fundamentals ideological discourses that have
become so natural over time that we begin to treat them as common, acceptable and natural
traits of discourse ".
Vivenciamos um momento único em que o acesso à informação está cada dia mais intenso, as
pessoas estão podendo interagir como em nenhuma outra época; desta interação nascem vários
debates sobre temas nunca antes discutidos em larga escala, e um deles é o que veremos aqui
na pesquisa: a referida democracia racial brasileira como constructo do racismo
contemporâneo. O problema que observaremos diacronicamente é: sabendo que a democracia
racial foi sustentada com fins ideológicos e políticos, de que forma as naturalizações
discursivas sobre a democracia racial ao longo dos anos contribuem para a naturalização do
racismo atual? O objetivo geral é analisar naturalizações discursivas da democracia racial
brasileira enquanto mecanismo de sustentação do racismo atual. Alguns dos objetivos
específicos são: 1. Reconstruir o contexto histórico do mito da democracia racial brasileira; 2.
Identificar o posicionamento discursivo e ideológico de Gilberto Freyre no livro Casa-Grande
& Senzala relacionado à sua tese da democracia racial brasileira pelo olhar da Análise Crítica
do Discurso; 3. Verificar e reconstruir os discursos midiáticos pela análise de notícias sobre o
Caso Miguel, correlacionado-os à ideia de uma democracia racial pela teoria crítica do
discurso; 4. Analisar os discursos nos comentários das notícias sobre o caso do menino Miguel
e nas hashtags do mesmo caso pela teoria crítica; 5. Correlacionar os estudos decoloniais e
pós-coloniais com o corpora na pesquisa. De acordo com Fernandes (2007, p. 61), Gilberto
Freyre sistematizou o mito de uma democracia racial pela ideia da teoria da mestiçagem. Essa
sistematização referida pelo autor está relacionada ao tema da obra Casa-Grande & Senzala
que traz justamente a questão da miscigenação racial em contrapartida da valorização da
identidade negra brasileira. Fernandes (2007) discorre sobre a situação marginal do negro
hoje, afirmando que a destituição do escravo se processou no Brasil de forma tão dura, que
ela representou a última espoliação sofrida, muito mais que uma dádiva ou uma oportunidade
concreta. Diante desse contexto em que o mito da democracia racial é discutido na sociedade,
o que propomos como diferencial para os estudos relacionados às naturalizações dessa
democracia é a exposição de um olhar vindo da Análise Crítica do Discurso (ACD), que
pretende desvelar os fundamentos ideológicos do discurso, que se têm feito tão naturais ao
longo do tempo que começamos a tratá-los como comuns, aceitáveis e traços naturais do
discurso (TEO, 2000). Essa teoria, por ser transdisciplinar, proporciona na pesquisa trazer a
dimensão social pelo viés sociológico relacionado ao Pós-Colonialismo ou Decolonialismo,
afinal vivenciamos os resquícios do colonialismo referente à imposição da metrópole
portuguesa. Uma justificativa para o trabalho com o Pós-Colonialismo está também na crença
de que o preconceito racial faz parte desses resquícios deixados pelo Colonialismo. Segundo
Fanon (2008), o racismo não é mais que um elemento entre outros num conjunto mais vasto
de opressão sistematizada de um povo. Analisar naturalizações discursivas da democracia
racial no Brasil enquanto mecanismos de ratificação e legitimação do racismo é uma tarefa
árdua, não tão simples quanto parece, uma vez que o racismo discursivo não está tão nítido
como achamos estar, ele sempre foi silenciado propositadamente pela elite hegemônica, pelos
herdeiros do Colonialismo.
Descrição
Palavras-chave
Citação
SILVA, Fernanda Pinheiro de Souza. Análise crítica do discurso sobre a democracia racial em Casa-Grande e Senzala, nas notícias e na hashtag : #justiçapormiguel. 2021. 213 f. Tese (Doutorado) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem. Doutorado em Ciências da Linguagem, 2021.
