Uma tecitura entre o feminino, a escrita e o páthos nos diários de Sylvia Plath.

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UNICAP
Feminino, escrita e páthos foram os fios que atravessaram esta Tese de Doutorado como um todo, costurados a partir de uma articulação entre a psicanálise e a literatura. A obra de Sylvia Plath, especialmente os seus diários, que compreendem um recorte de 1950 a 1962, foram, aqui, o ponto de partida e de chegada de uma produção artesanal. Esta pesquisa teve, então, como objetivo geral investigar a relação entre o feminino, a escrita e o páthos nos diários de Plath. Para tal, como proposta metodológica, partiu-se de uma revisão de literatura no campo psicanalítico de Freud a Lacan, perpassando por autores contemporâneos. Tomando a tecitura e seus concomitantes desenodamentos como chave de leitura e como proposta de construção metodológica, esta Tese visou articular, em movimentos de dois a dois, os três fios supracitados, a partir daquilo que Plath escreveu sobre sua vida, seus dilemas, e sobre a sua própria prática com a escrita. O feminino, extraído do último ensino de Lacan, revela-se como uma forma de gozar não toda submetida ao falo e é a reviravolta lacaniana sobre a sexualidade feminina. Nesta Tese, ele foi desdobrado em diversas possibilidades de leitura, desde a questão do infinito, passando pela feminização nas psicoses, até a discussão sobre um feminino de ninguém. A escrita, em seu caráter de letra, descortinou-se como um acontecimento que atravessa o corpo e que, partindo dele, ao mesmo tempo o constitui. O páthos, como paixões do ser, mostrou-se como um caleidoscópio de afetos. Partindo dessas elaborações, a Tese articulou o que chamou de três movimentos de uma trança: entre o feminino e o páthos, demarcado por um laço que enfatizou a agressividade, a super-meutade, e a devastação; entre o feminino e a escrita, na ênfase das dimensões do gozo, da pulsão, do corpo e do acontecimento, até a exposição sobre a forma de uma escrita feminina; e entre escrita e páthos, pensando uma escrita plathológica, em vias de solução e dissolução. A Tese concluiu com o páthos, basculado entre a dor e o júbilo, para enfatizar, por fim, a alegria de viver. Com isso, acredita-se que é possível, a partir da escrita de Plath, pensar que feminino, escrita e páthos se articulam, fazendo-nos avançar na própria concepção da clínica psicanalítica a partir da noção de um feminino múltiplo, da prática da letra além do significante e do páthos marcado em cada experiência viva.
Feminine, writing, and páthos were the threads that ran through this Doctoral Thesis as a whole, woven together through an articulation between psychoanalysis and literature. The work of Sylvia Plath, especially her diaries, covering the period from 1950 to 1962, served here as both the starting and ending point of an artisanal production. The general objective of this research was to investigate the relationship between the feminine, writing, and páthos in Plath’s diaries. To this end, as a methodological proposal, the study undertook a literature review in the psychoanalytic field, from Freud to Lacan, also engaging with contemporary authors. Taking the fabric and its concomitant unravelings as a key for reading and as a methodological construction proposal, this Thesis sought to articulate, in pairwise movements, the three aforementioned threads, based on what Plath wrote about her life, her dilemmas, and her own writing practice. The feminine, extracted from Lacan’s late teaching, reveals itself as a way of jouissance not entirely subjected to the phallus, constituting Lacan’s overturning of female sexuality. In this Thesis, it was unfolded into various interpretative possibilities, from the question of the infinite to the feminization in psychoses and the discussion of a feminine of no one. Writing, in its status as letter, unfolded as an event that traverses the body and, originating from it, simultaneously constitutes it. Páthos, as the passions of being, presented itself as a kaleidoscope of affects. Based on these elaborations, the Thesis articulated what it called three movements of a braid: between the feminine and páthos, marked by a bond that emphasized aggressiveness, super-half, and devastation; between the feminine and writing, highlighting the dimensions of jouissance, body, and event, culminating in an exposition on the form of a feminine writing; and between writing and páthos, conceiving a plathological writing, on the verge of solution and dissolution. The Thesis concluded with páthos, oscillating between pain and jubilation, to ultimately emphasize the joy of living. Thus, it is believed that, through Plath’s writing, it is possible to conceive that the feminine, writing, and páthos articulate themselves, allowing us to advance in the very conception of the psychoanalytic clinic through the notion of a multiple feminine, the practice of the letter beyond the signifier, and páthos as inscribed in every living experience.
Femenino, escritura y páthos fueron los hilos que atravesaron esta Tesis Doctoral en su totalidad, entretejidos a partir de una articulación entre el psicoanálisis y la literatura. La obra de Sylvia Plath, en especial sus diarios, que comprenden el período de 1950 a 1962, sirvió aquí como punto de partida y de llegada de una producción artesanal. El objetivo general de esta investigación fue indagar la relación entre lo femenino, la escritura y el páthos en los diarios de Plath. Para ello, como propuesta metodológica, se llevó a cabo una revisión bibliográfica en el campo psicoanalítico, desde Freud hasta Lacan, incluyendo también autores contemporáneos. Tomando la trama y sus concomitantes desenlaces como clave de lectura y como propuesta de construcción metodológica, esta Tesis buscó articular, en movimientos de dos en dos, los tres hilos antes mencionados, a partir de lo que Plath escribió sobre su vida, sus dilemas y su propia práctica de la escritura. Lo femenino, extraído de la última enseñanza de Lacan, se revela como un modo de goce no totalmente sometido al falo, constituyendo el giro lacaniano sobre la sexualidad femenina. En esta Tesis, se desplegó en diversas posibilidades de lectura, desde la cuestión de lo infinito, pasando por la feminización en las psicosis, hasta la discusión sobre un femenino de nadie. La escritura, en su estatuto de letra, se develó como un acontecimiento que atraviesa el cuerpo y que, partiendo de él, al mismo tiempo lo constituye. El páthos, como pasiones del ser, se mostró como un caleidoscopio de afectos. A partir de estas elaboraciones, la Tesis articuló lo que denominó tres movimientos de una trenza: entre lo femenino y el páthos, marcado por un lazo que enfatizó la agresividad, la superyomitade y la devastación; entre lo femenino y la escritura, con énfasis en las dimensiones del goce, la pulsión, el cuerpo y el acontecimiento, hasta la exposición de la forma de una escritura femenina; y entre escritura y páthos, pensando en una escritura plathológica, en vías de solución y disolución. La Tesis concluyó con el páthos, oscilando entre el dolor y el júbilo, para enfatizar, finalmente, la alegría de vivir. Con ello, se considera que, a partir de la escritura de Plath, es posible pensar que lo femenino, la escritura y el páthos se articulan, permitiéndonos avanzar en la propia concepción de la clínica psicoanalítica desde la noción de un femenino múltiple, la práctica de la letra más allá del significante y el páthos inscrito en cada experiencia viva.

Descrição

Tese em texto completo.

Citação

ARAÚJO, Anderson Barbosa de. Uma tecitura entre o feminino, a escrita e o páthos nos diários de Sylvia Plath. 2025. 226 f. Tese (Doutorado) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Doutorado em Psicologia Clínica, Recife, 2025.