O lugar do léxico no ensino de língua portuguesa: análise da abordagem lexical em um livro didático do ensino médio.
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Universidade Católica de Pernambuco
It is believed that a broader knowledge of the lexicon is paramount for a learner to go beyond
the common repertoire, building favorable environments for proper communication in
different social contexts. (LEWIS, 1993, 1997, 2000; LEFFA, 2000). In this perspective,
knowing the lexicon well is an indispensable condition for a richer communicative
competence in BP (ANTUNES, 2012, TEODORO, 2018). However, although the relevance
of such knowledge is a consensus among the majority of professionals working in the area,
there is a feeling that it has been minimized, given that it seems to be present only in most
teachers’ rhetoric, as well as absent not only from the initial and continuing education of
teachers, but also from syllabus that are part of Brazilian Portuguese Textbooks (BPTs). This
work is characterized by a qualitative documentary research, aiming to investigate the place
occupied by the lexicon in BPT through the analysis of exercises of this linguistic knowledge.
With this purpose, the 9th edition of the “Português: Linguagens” (HS) collection, by William
Roberto Cereja and Thereza Anália Cochar Magalhães, was selected among the ten
collections recommended by PNLD 2015. The collection was published by Editora Saraiva
and used from 2015 to 2017. After selecting it, we identified the vocabulary exercises in the
textbooks, analyzed the corpus, and made a comparison between the space given to the
lexicon and to grammar in the collection. Based on the guidelines of Lexicology (ANTUNES,
2012; CARVALHO, 2009, 2011; BIDERMAN, 2001; TEODORO, 2018) and the Lexical
Approach (LEWIS, 1993, 1997, 2000; LEFFA, 2000; ZIMMERMAN, 1997, MELKA, 1997;
BINON , 2000; ELLIS, 1997 and others), this research also alludes to the Common European
Framework of Reference for Languages (CEFR) and the Framework of Reference for the
Teaching of Portuguese Abroad (QuaREPE). It is observed that the Lexical Approach (LA),
the CEFR and the QuaREPE place lexical competence at the top of those identified as the
most relevant ones to the knowledge of a language, defending a language concept based on
“chunks” (lexical portions). It is seen as a lexicalized and non-grammatical phenomenon,
differently from what happens in traditional teaching, in which knowing the grammar is often
mistaken for knowing the language. The integrated teaching of lexical-grammatical patterns
(lexicon + grammar) is defended in detriment of a dichotomous approach (lexicon x
grammar). The option of adopting LA (which places the lexicon at the center of the teachinglearning process), even if conceived for the teaching of the English language, is justified by
the lack of a national approach to work on PL lexicon (BORTONI-RICARDO, 2005; SEIDE;
DURÃO, 2015). Our conclusion is that BPTs still focus on the study of grammar (language as
a code), neglecting the study of the lexicon. Moreover, when this study is present, words
continue to be seen in isolation, detached from their context, with only few exceptions. In the
end, we hope this research will fill some gaps in the existing investigations on the theme,
leaving a contribution that pique the interest of other researchers who address issues regarding
the way lexicon is taught in BPT. We also hope it sparks the interest of HS teachers, mainly
by pointing out paths that can be followed in order to obtain better results in their teaching
practice, especially when it comes to teaching PL lexicon.
Acredita-se que um conhecimento mais amplo do léxico é preponderante para o indivíduo
avançar além do repertório comum, construindo ambientes favoráveis para uma comunicação
adequada em contextos sociais diversos. (LEWIS, 1993, 1997, 2000; LEFFA, 2000). Nessa
perspectiva, conhecer o léxico é condição indispensável para uma competência comunicativa
mais rica no PB (ANTUNES, 2012, TEODORO, 2018). Porém, apesar da relevância desse
conhecimento ser consenso entre a maioria dos profissionais que atuam na área, existe a
sensação de que o mesmo venha sendo minimizado, haja vista, aparentemente, figurar apenas
na retórica da maior parte dos professores, bem como por tratar-se de um tema ausente,
inclusive, tanto da formação inicial e continuada dos professores, quanto dos componentes
curriculares integrantes dos livros didáticos do Português do Brasil (LDP). Caracteriza-se este
trabalho por uma pesquisa documental qualitativa, visando investigar o lugar ocupado pelo
léxico no LDP, através da análise de exercícios desse conhecimento linguístico. Para essa
finalidade, foi selecionada (dentre as dez coleções recomendadas pelo PNLD 2015) a coleção
“Português: Linguagens” (EM), de autoria de William Roberto Cereja e Thereza Anália
Cochar Magalhães, publicada pela Editora Saraiva, em sua 9ª edição, coleção esta utilizada no
triênio 2015-2017. Após a escolha, foram identificados os exercícios de léxico na coleção e
procedida a análise do corpus, realizando-se também um cotejamento entre o espaço ocupado
pelo léxico e pela gramática na coleção. Baseada nas orientações da Lexicologia (ANTUNES,
2012; CARVALHO, 2009, 2011; BIDERMAN, 2001; TEODORO, 2018) e da Abordagem
Lexical (LEWIS, 1993, 1997, 2000; LEFFA, 2000; ZIMMERMAN, 1997, MELKA, 1997;
BINON; VERLINDE, 2000; ELLIS, 1997 e outros), esta pesquisa faz também alusão ao
Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR) e ao Quadro de Referência
para o Ensino de Português no Estrangeiro (QuaREPE). Observa-se que a Abordagem Lexical
(AL), bem como os QECR e QuaREPE, coloca a competência lexical no topo da preferência
entre aquelas eleitas como as mais relevantes para o conhecimento de uma língua e defende
uma concepção de língua baseada em “chunks” (porções lexicais), enxergando-a enquanto um
fenômeno lexicalizado e não gramaticalizado como ocorre no ensino tradicional, quando
conhecimento de língua e de gramática se confundem. Defende-se o ensino integrado de
padrões léxico-gramaticais (léxico + gramática) em detrimento do ensino dicotômico (léxico
x gramática). A opção de adotar a AL (que coloca o léxico no centro do processo de ensinoaprendizagem), mesmo que concebida para o ensino de língua inglesa, justifica-se pela
inexistência de uma abordagem nacional para trabalhar o léxico de LP (BORTONIRICARDO, 2005; SEIDE; DURÃO, 2015). Conclui-se que o LD continua dando mais espaço
para o estudo da gramática (língua enquanto código), negligenciando o estudo do léxico e,
quando este estudo ocorre, as palavras continuam sendo vistas de forma isolada, descoladas
do contexto, raras sendo as exceções. No final, espera-se que esta pesquisa venha a suprir
algumas lacunas nas investigações existentes acerca do tema, deixando contribuição que
instigue a curiosidade de outros pesquisadores que se debruçam sobre as questões que
envolvem o ensino do léxico no LDP. Espera-se, também, estimular a curiosidade de
investigação dos professores que estão em sala de aula do EM, indicando-lhes,
principalmente, caminhos que possam ser seguidos, a fim de obterem melhores resultados na
sua prática de ensino, mais especificamente, no que concerne ao ensino do léxico da LP.
Descrição
Citação
SILVA, Severino Carlos da. O lugar do léxico no ensino de língua portuguesa : análise da abordagem lexical em um livro didático do ensino médio . 2020. 246 f. Tese (Doutorado) - Universidade Católica de Pernambuco. Pró-Reitoria Acadêmica. Coordenação Geral de Pós-Graduação. Doutorado em Ciências da Linguagem, 2020.
