Ascensão das imagens e declínio da função das palavras na subjetividade contemporânea.
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Universidade Católica de Pernambuco
Cette recherche porte sur le devenir de l'excès des images et du déclin de la fonction des mots
dans la subjectivité contemporaine en tant que phénomènes sociaux à la lumière de la
psychanalyse, en dialogue avec la philosophie. L'importance de cette étude découle du fait que
les technologies de communication de masse produisent une primauté des images sur les mots,
entérinée par la prolifération des images numériques qui, tel in tsunami, envahissent
l’environnement, interférant avec la constitution de la subjectivité – dont les images et les mots
sont les unités de base – et provoquant des changements dans la conception/rapport espacetemps
qui génèrent vitesse, accélération, fragmentation, dispersion et hyper-focalisation sur les
écrans. Nous ferons du stade du miroir lacanien un concept opératoire, pour penser la
subjectivité à partir d’un Moi compris comme image corporelle, comme espace subjectif
continu, symétrique, comme projection d'une surface, en le séparant du sujet de l’indestructible
désir et de l'introjection des mots. Mots entendus, représentations de mots, signifiants, dans des
temporalités intermittentes. Le cyberespace nous insère dans un contexte où les moteurs de
recherche et l'apprentissage automatique, avec 0 et 1, produisent la polarisation comme
suggestion algorithmique, élargissent l'inclusion et l'exclusion des idées (images mentales qui
permettent de nouvelles formes de pouvoir politique, d'hégémonie et de contrôle social). Cela
montre la nécessité de tenir compte de l'inséparabilité entre épistémè, clinique et politique ainsi
que de l'interdisciplinarité dans la construction des savoirs face aux enjeux les plus urgents de
notre temps. Partant de la métapsychologie freudienne, nous défendons la thèse selon laquelle
les nouvelles technologies, en tant que prothèses couplées à la structure subjective, favorisent
la tendance de l'appareil psychique à fonctionner davantage par images visuelles – en mode
primaire (inconscient) avec l’énergie non liée – et moins par des mots, en mode secondaire
(conscient/préconscient) – avec l’énergie liée ; surtout quand il s'agit de formations de masse.
De cette façon, l'expérience avec les mots est simplement vidée, provoquant un
appauvrissement du récit, depuis les premiers médias de masse associés à l'exploitation
capitaliste, l'attention étant devenue la denrée la plus chère. Notre recherche montre que
l'expérience la plus humaine se construit dans les mots du discours en tant que mots entendus
mutuellement, dans l'altérité du corps à corps ; des mots qui vibrent dans les corps, où les
regards se croisent et s'attardent, dépendant de traces inscrites dans le champ symbolique. A
partir de Didi-Huberman, sur la piste benjaminienne, nous soulignons la nécessité de
décoloniser le regard, de percevoir dans les objets oubliés la puissance d'un passé non réalisé,
objets qui, lorsqu'exhumés archéologiquement du passé, refont surface pour troubler la
compréhension habituelle et accommodée du présent, ne serait-ce que par un détail,
déstabilisant les dichotomies, comme les images de lucioles de Pasolini. Nous avons choisi les
marionnettes joyeuses du Maître marionnettiste Maiakoviski comme signe de la résistance de
la condition de l'être parlant qui, de l'hégémonie du plastique, comme une métaphore de
l'érosion du symbolique, s'évadent en tant que joueurs et jouets, produisant des traits et de la
joie de vivre.
Esta pesquisa teve como objetivo investigar os destinos do excesso das imagens e do
declínio da função das palavras na subjetividade contemporânea como fenômenos sociais
à luz da psicanálise, em uma interlocução com a filosofia. A importância deste estudo
decorre do fato de que as tecnologias da comunicação em massa produzem uma primazia
das imagens sobre as palavras, referendada pela vertiginosa proliferação das imagens
digitais que, como um tsunami, invadem todos os ambientes interferindo no mais elementar
da constituição da subjetividade – que tem por unidades básicas imagens e palavras – e
provocando alterações na concepção/relação espaço-tempo que geram velocidade,
aceleração, fragmentação, dispersão e hiper foco hipnótico nas telas. Tomamos os conceitos
como instrumentos de corte e recorte para fazer do estádio do espelho lacaniano um
conceito operativo, a fim de pensarmos a subjetividade a partir do Eu como imagem
corporal, como espaço subjetivo contínuo, simétrico, projeção de uma superfície,
separando-o do sujeito do desejo indestrutível e da introjeção das palavras, como palavras
que foram ouvidas, representações de palavras, significantes, em temporalidades
intermitentes. O ciberespaço insere-nos num contexto global em que mecanismos de busca
e aprendizado de máquina, a partir de 0 e 1, produzem a polarização como sugestão
algorítmica, ampliam a inclusão e exclusão de ideias (imagens mentais que possibilitam
novas formas de poder político, hegemonia e controle social), mostrando a necessidade da
inseparabilidade entre episteme, clínica e política, e da interdisciplinaridade na construção
do conhecimento frente às questões mais urgentes de nossa época. A partir da
metapsicologia freudiana, em um movimento dialético de Freud a Lacan e de Lacan a
Freud, defendemos a tese de que as novas tecnologias, por serem como próteses acopladas
à estrutura subjetiva, promovem a tendência do aparelho psíquico a operar mais por
imagens visuais – no modo primário (inconsciente) com energia desligada – e menos por
palavras, no modo secundário (consciente/pré-consciente) – com energia ligada;
principalmente em se tratando das formações de massa. Desta forma, a experiência com as
palavras é esvaziada, causando um empobrecimento da narrativa desde os primeiros meios
de comunicação de massa associados à exploração capitalista, a atenção tendo se tornado,
de forma crescente, a mercadoria mais cara. Nossa pesquisa indica que a experiência mais
verdadeiramente humana se aquece nas palavras da fala como palavras mutualmente
ouvidas, na alteridade do corpo a corpo; palavras que vibram nos corpos, em que os olhares
se encontram e se demoram e dependem da existência de traços inscritos no campo
simbólico. A partir de Didi-Huberman, na trilha benjaminiana, sublinhamos a necessidade
de descolonizar o olhar, de perceber em objetos esquecidos a potência de um passado não
realizado e que, ao ser arqueologicamente desenterrado do passado, vem à superfície
desordenar a compreensão habitual e acomodada do presente, desestabilizando dicotomias,
como as imagens dos vagalumes de Pasolini. Escolhemos as alegres marionetes do Mestre
mamulengueiro Maiakoviski como sinal da resistência da condição do ser falante, que da
hegemonia do plástico, como metáfora da erosão do simbólico, escapam como brincantes
e brinquedos, produzem traços e alegria de viver.
Descrição
Palavras-chave
Citação
PAZ, Luciene de Mélo. Ascensão das imagens e declínio da função das palavras na subjetividade contemporânea. 2022 231 fl Tese (Doutorado) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Doutorado em Psicologia Clínica, 2022.
