A depressão como marca do mal-estar contemporâneo e sua relação com a experiência do tempo e da transitoriedade.
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Universidade Católica de Pernambuco
Depression seems to represent one of the hegemonic forms of psychological suffering in
contemporary times. The WHO data from 2018 shows that, worldwide, there are more
than 300 million people of all age groups in depression. In the present study, we highlight
the importance, beyond the psychopathological perspective, of placing the discourse on
depression in the psychoanalytic field, from an ethical and political paradigm, on the
subject's truth. Therefore, the general objective of this master's thesis was to investigate
depression as a mark of contemporary discontent and its relation with the experiences of
time and transience. The engine for this reflection was listening to Esther Greenwood, a
character in the novel The Bell Jar, a work published in 1963 by the author Sylvia Plath.
In view of this book, the methodological resource of this research was the construction of
a clinical case, oriented at the elements of real that emerge in the experience and that
question the proposed objective, allowing a theoretical articulation with what the
literature presents, mainly in the figures of Freud and Lacan, in addition to other
contemporary authors. Esther's story allowed us to point out depression as a condenser of
current discontent, allowing us to glimpse fundamental questions of the human condition,
such as subjective truth, loss, suicide and helplessness. Depression, like melancholy in
Freud's day, was found to have a role in revealing central issues. It was also observed how
the depressed subjects present themselves as resistant and as a product of the current
neoliberal rationality which promotes a process of managing psychological suffering,
imposing subjectivity on the business model. As a remnant of the operation, the depressed
subject seems to present himself in a contrary position of the juissance’s imperatives of
enjoyment and productivity, experiencing his own temporality, marked by a rejection of
the race for self-improvement. We consider that the experience with life and death in
these subjects also proves to be countercurrent, since the depressed subject, in his
speeches, exposes finitude, the transience of all things, death as a possible horizon,
directing this question to the ethical field about the ultimate meaning of existence. Finally,
it is concluded that depression appears as a remnant or even an effect of the current
subjectivation, at the same time that it reveals the impossibility of this rationality to
apprehend for what is too human, in other words, the point most intimate of each subject,
a place where imperatives give way and where listening is demanded.
A depressão parece representar, na contemporaneidade, uma das formas hegemônicas de
sofrimento psíquico. Dados da OMS de 2018 mostram que, em todo o mundo, são mais
de 300 milhões de pessoas, de todas as faixas etárias, em depressão. No presente estudo,
destacamos a importância, para além da perspectiva psicopatológica, de situar o discurso
sobre a depressão no campo psicanalítico, a partir de um paradigma ético e político, sobre
a verdade do sujeito. Diante disso, o objetivo geral desta dissertação de mestrado foi
investigar a depressão enquanto marca do mal-estar contemporâneo e sua relação com as
experiências do tempo e da transitoriedade. O motor para essa reflexão foi a escuta de
Esther Greenwood, personagem do romance A redoma de vidro, obra publicada em 1963,
pela autora Sylvia Plath. Diante desse material, o recurso metodológico desta pesquisa
foi a construção do caso clínico, visando os elementos de real que despontam na
experiência e que colocam em questão o objetivo proposto, permitindo uma articulação
teórica com o que a literatura apresenta, principalmente nas figuras de Freud e Lacan,
além de outros autores contemporâneos. A história de Esther nos permitiu apontar a
depressão como um condensador do mal-estar atual, permitindo entrever questões
fundamentais da condição humana, a exemplo da verdade subjetiva, da perda, do suicídio,
do desamparo. Constatou-se que a depressão, tal como a melancolia na época de Freud,
tem um papel de revelação de questões centrais. Também se observou como os sujeitos
deprimidos apresentam-se como resistentes, ao mesmo tempo que produto, da
racionalidade neoliberal vigente, que, impondo à subjetividade o modelo empresarial,
promove um processo de gestão do sofrimento psíquico. Como um resto da operação, o
sujeito deprimido parece se apresentar numa posição contrária, até mesmo insurgente,
diante dos imperativos de gozo da pressa e da produtividade, experimentando uma
temporalidade própria, marcada por uma rejeição à corrida pelo autoaperfeiçoamento.
Consideramos que a experiência com a vida e a morte nesses sujeitos também se mostra
contracorrente, uma vez que o sujeito deprimido, em seus discursos, expõe a finitude, a
transitoriedade de todas as coisas, a morte enquanto horizonte possível, levando essa
questão, muitas vezes, para o campo ético sobre o sentido último da existência. Por fim,
o que se conclui é que a depressão aparece como um resto, ou até mesmo um efeito, da
subjetivação vigente, ao mesmo tempo em que revela a impossibilidade dessa
racionalidade de dar conta do que é demasiadamente humano, isto é, o ponto mais íntimo
de cada um, lugar onde os imperativos cedem e onde a escuta é demandada.
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Palavras-chave
Citação
ARAÚJO, Anderson Barbosa de. A depressão como marca do mal-estar contemporâneo e sua relação com a experiência do tempo e da transitoriedade. 2021. 159 f Dissertação (Mestrado) - Universidade Católica de Pernambuco. Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica. Mestrado em Psicologia Clínica, 2021.
